02/07/13

PENSAR SEM PENSAR

Há dias,
Em que paro para pensar
E por muito que tente,
Não consigo pensar.
A cabeça está oca,
Não raciocina,
Não lembra nada.
O vazio instalou-se ,
Acomodou-se
E parece não querer partir.
Não há lógica nem coerência,
Apenas um vazio,
Como um buraco negro,
Profundo...
Não vislumbra nada,
Nada descortina.
Cada vez se embrenha mais
Nas curvas do vazio.
Mais parece um bosque,
De árvores velhas e secas,
Orvalhadas pela noite
Fria e escura,
Raiada pelas teias
Finas e pegajosas
Das aranhas feias e manhosas,
Pelas armadilhas dos pântanos,
Negros e sinuosos...
O real foge do meu controlo,
Num qualquer ponto,
Juntando-se ao meu imaginário
E ambos se fundem num só.
Do que se passa à minha volta,
Não me apercebo.
O meu olhar está fixo
Nesse qualquer ponto,
Que se junta
Ao meu vazio interior,
Rodopiando entre as paredes
Desse buraco tão fundo,
Que se afunda cada vez mais,
Caindo num abraço profundo,
Desse fundo,
Que é o vazio do meu pensar...

Sem comentários:

Enviar um comentário